Diante desse ambiente tão impactante para todos os sentidos humanos, bem como para a saúde dos que moravam e frequentavam o Valongo, as autoridades sanitárias tentaram resolver os problemas de espaço, de odor e sanitários através da incineração dos corpos. Esta prática funerária, relatada nos documentos de época, foram confirmadas pelos arqueólogos ao encontrarem milhares de fragmentos de ossos e dentes com marcas de queima (figuras 10 e 11). Os corpos eram depositados nas áreas mais centrais do cemitério, e após serem reduzidos a pequenos fragmentos e a cinzas, eram espalhados para as áreas mais periféricas.

Descrição da imagem: A imagem mostra ossos fragmentados e dispersos sobre um solo arenoso e poeirento, com pedaços de diferentes tamanhos, variando entre pequenos estilhaços e fragmentos maiores, todos em tonalidades de marrom claro. O cenário é marcado pela desolação, e o local é o Cemitério dos Pretos Novos

Figura 10: Fragmentos de ossos com marcas de queima encontrados no Cemitério dos Pretos Novos. Crédito Andrea Lessa.

Figura 11: Fragmentos de ossos com marcas de queima encontrados no Cemitério dos Pretos Novos. Crédito Andrei Santos.

 

Uma questão que permanece em discussão é a forma como os corpos eram queimados, uma vez que não foram encontradas estruturas como fornos, e nem mesmo pedaços ou manchas de carvão que pudessem indicar o uso de piras ou fogueiras. Logo, seria necessário algum tipo de acelerante que garantisse a permanência das chamas pelo tempo necessário, bem como as altas temperaturas. O mais provável é que fossem utilizados o óleo de baleia (figura 12) ou o óleo de coco, produtos abundantes e baratos na época.

Figura 12: “Pesca da baleia na Baía do Rio de Janeiro, pintura de Leandro Joaquim (1738-1798). Domínio Público.