Durante o século XVIII e a primeira metade do século XIX, diferentes grupos africanos chegaram à cidade do Rio de Janeiro em diversas ondas migratórias. Estudos indicam que o número de africanos escravizados no Porto do Rio aumentou gradualmente desde o século XVII e se intensificou no século XVIII. Nos últimos três quartéis do século XVII, chegaram cerca de 188.688 cativos ao porto do Rio de Janeiro. No primeiro quartel do século XVIII, a cidade recebeu 159.253 cativos africanos, representando aproximadamente 87% dos cativos dos três quartéis anteriores. Os negociantes cariocas expandiram suas atividades em Benguela durante o século XVIII, fornecendo escravos para as minas de ouro e diamantes em Minas Gerais.

Descrição da Imagem: A imagem apresenta quatro retratos em estilo de gravura, mostrando perfis de indivíduos africanos. Cada retrato é acompanhado por uma legenda que identifica a origem da pessoa retratada. No canto superior esquerdo, um homem é identificado como "Benguela". No canto superior direito, outro homem é chamado de "Congo". No canto inferior esquerdo, um terceiro homem é identificado como "Mina" e no canto inferior direito, uma mulher é identificada como "Moçambique". Os retratos, com seus detalhes em gravura, destacam os traços faciais e penteados característicos de cada indivíduo.
Imagem 4: (Benguela / Angola / Congo / Monjolo /Cabinda / Quiloa / Rebolla / Mina) Fonte Rugendas, Johann Moritz, 1802-1858. Viagem pitoresca através do Brasil. p. gravura 40/44. Disponível: Aqui  .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De acordo com diferentes fontes, entre 1710 e 1750, predominaram os africanos de origem mina, enquanto os registros de óbitos do século XVIII apontam a predominância de grupos angolanos, guineenses, minas, benguelas e congos. Testamentos de proprietários mostraram que, entre 1736 e 1740, dois terços dos africanos escravizados no Rio de Janeiro eram da África Centro Ocidental, destacando-se angolas, benguelas e ganguelas congos e monjolos.

 

 

 

 

Imagem 4: (Benguela / Angola / Congo / Monjolo /Cabinda / Quiloa / Rebolla / Mina)

Fonte Rugendas, Johann Moritz, 1802-1858. Viagem pitoresca através do Brasil. p. gravura 40/44. Disponível: Aqui.

 

 

 

No Rio de Janeiro, a importação de africanos escravizados de Luanda e Benguela cresceu a partir de 1740 e atingiu seu auge em 1790, permanecendo assim até 1830. Entre 1790 e 1830, africanos Centro Ocidentais predominaram no tráfico entre Angola e o Rio de Janeiro. Durante esse período, houve três intervalos distintos: de 1790 a 1810, com média de 9.967 escravos/ano; de 1811 a 1825, com entrada anual de mais de 20.908 escravos, em função da abertura dos portos ao comércio internacional. e de 1826 a 1830, motivado pela Lei do  fim do tráfico até março de 1830. Porém, a proximidade do prazo, elevou muito as compras de africanos pelos traficantes cariocas, quase dobrando a entrada de africanos no Rio de Janeiro, por ano. A abolição do tráfico só ocorreu durante o Período Regencial, após a abdicação de D. Pedro I, em 1831.