A história dos cemitérios para escravos está ligada ao tráfico atlântico e à escravidão. No Rio de Janeiro, até meados do século XVIII, a compra e venda de escravos era feita nos armazéns da rua Direita, perto da Alfândega. Em 1758, devido a conflitos entre negociantes e visando evitar doenças, foi determinada a transferência do comércio de escravos para a região do Valongo, fora da cidade. Essa decisão enfrentou resistência dos negociantes, mas só foi resolvida em 1774 pelo Marquês do Lavradio. Os escravos doentes eram levados para lazaretos na Ilha do Bom Jesus ou na Gamboa. Os que não resistiam eram enterrados no Cemitério dos Pretos Novos. O Valongo se tornou um grande complexo onde ocorria a venda de escravos, além de contar com cais, armazéns, lazaretos, cemitério, escritórios de corretores, lojas de ferros, alimentos, roupas e barbeiros. Os escravos eram expostos para venda na porta das casas ou nos quintais. Entre 1501 e 1867, cerca de 1.839.000 africanos foram trazidos para o Rio de Janeiro, sendo que quase 1 milhão passou pelo Valongo em direção a várias regiões consumidoras tais como: mineração em Minas Gerais, lavouras de cana em Campos dos Goytacazes, fazendas de café do Vale do Paraíba e os diversos engenhos do Recôncavo da Guanabara.