Ações educativas e culturais do Instituto Pretos Novos para preservação da memória e patrimônio da Pequena África; contribuições para a construção de uma sociedade antirracista
O Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) está localizado no Sítio Arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, também conhecido como Cemitério do Valongo, no Rio de Janeiro. Este local foi ativo entre 1774 e 1830, recebendo os corpos de africanos recém-chegados que não resistiam às condições precárias dos navios negreiros. Após o fechamento do complexo negreiro do Valongo, a região e sua história de dores caíram no esquecimento. A população africana e afrodescendente foi alvo da elite branca que, com teorias de embranquecimento e higienismo, buscava apagar sua presença .
No entanto, a população afro-brasileira resistiu e buscou outros espaços para viver, conservando e transmitindo sua cultura, geração após geração. Em 1996, a família Guimarães descobriu ossos sob a casa deles, antigo local do cemitério, o que levou à criação do IPN em 2005. Localizado na Pequena África, zona portuária, é um espaço sagrado que preserva a memória do povo negro e denuncia a escravidão como crime contra a humanidade. O Instituto Pretos Novos luta por uma sociedade antirracista, evitando o esquecimento e reconstruindo a memória coletiva traumatizada e silenciada por anos. Desta forma, Instituto se tornou referência na preservação da memória dos pretos novos e na luta contra o racismo, promovendo atividades educativas e culturais que contribuem para uma sociedade antirracista.
O IPN foi reconhecido como utilidade pública e ponto de cultura, recebendo prêmios e parcerias que ajudaram a fortalecer sua atuação. A instituição enfrentou desafios financeiros, mas com apoio da sociedade civil e órgãos públicos, conseguiu se manter e ampliar suas atividades. Desde 2011, novas descobertas arqueológicas trouxeram ainda mais visibilidade e recursos para o IPN, que se tornou um importante centro de pesquisa e educação sobre a história africana e afro-brasileira.
O Museu Memorial Pretos Novos, fundado em 2012, expõe os restos mortais encontrados no sítio arqueológico, recontando a história dos pretos novos e promovendo reflexões sobre a escravidão. Assim, a oferta de cursos, oficinas e exposições que contribuem para uma educação antirracista e valorização da cultura africana tem sido sua frentes de trabalho. Para poder realizar tantas atividades, a instituição conta com o trabalho voluntário de cerca de 125 pessoas e já recebeu mais de 239 mil visitantes desde 2005, incluindo pesquisadores e estudantes.
O IPN tem sido reconhecido internacionalmente e recebeu prêmios por sua atuação na preservação da memória africana e na promoção da igualdade racial. Além disso, o instituto participa de iniciativas de combate ao racismo e de valorização da herança africana, se tornando um importante ponto de referência na luta contra a discriminação racial, entre elas. Em 2023, o IPN participou do lançamento da Rede Global das Cidades Antirracistas e da elaboração do plano de trabalho para lançamento do Pacto de Combate ao Racismo e Promoção da Equidade Étnico-Racial em Museus, Centros Culturais e espaços de fruição da arte, a Rede de Museus Antirracistas para lançamento em de 2024. Com a constituição de uma Rede de Museus Antirracistas, o IPN busca ampliar suas ações e promover a equidade étnico-racial em espaços culturais e educativos.
