EXPOSIÇÃO DIGITAL 1

Camisa do Diretório Acadêmico da década de 1970:
Museologia (UNIRIO)

https://www.youtube.com/watch?v=XHOmBV4js_E

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APRESENTAÇÃO

A presente exposição foi criada no âmbito da disciplina de Informação e Documentação Museológica do curso de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, visando a apresentação da Camisa do Diretório Acadêmico Gustavo Barroso, acervo do Núcleo de Memória da Museologia no Brasil.

Ao longo do semestre letivo, os discentes inscritos na disciplina foram estimulados a realizarem atividades que os aproximasse do tratamento da informação no campo da documentação. Desta forma, além da observação do objeto, realizaram entrevistas, pesquisas e catalogação.


CONTEXTO HISTÓRICO

A camisa do Diretório Acadêmico Gustavo Barroso era ofertada aos alunos do Curso de Museus, ministrado nas dependências do Museu Histórico Nacional, durante a década de 1970. Os calouros, ao ingressarem no curso, eram presenteados com o “Diploma de Múmia”, que exibia a mesma ilustração descontraída de um faraó.

A escolha de Gustavo Barroso como homenageado pelo Diretório Acadêmico é um ponto que precisamos abordar. É inegável sua importância e grandiosidade para a museologia, contudo, atualmente, é difícil separarmos seus feitos de seus posicionamentos políticos e, por isso, o descontentamento com a associação à uma organização estudantil. Porém, ao analisarmos o contexto histórico e político ao qual estavam inseridos, é possível uma melhor compreensão desta escolha.

CONTEXTO HISTÓRICO

O cenário político da década de 1970 não permitia uma liberdade de ideologias ou o uso de narrativas que divergissem das apresentadas pelos militares. Todo grupo ou indivíduo que fosse visto como contrário ao regime da ditadura era duramente repreendido e perseguido, as censuras ocorriam nos mais diversos âmbitos e os embates deixavam como legado um grande número de mortos e desaparecidos.

Entendendo também o histórico de Gustavo Barroso dentro da museologia, enquanto idealizador do Curso de Museus e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional, sua escolha para dar nome ao Diretório Acadêmico era segura e isentava os alunos e a instituição de maiores problemas com os militares. Tal pensamento também pode se aplicar à escolha do faraó como “mascote”, visto que não carregava nenhuma visão política e estaria associado ao imaginário popular do que se tratavam os museus, o estudo de civilizações antigas como as do Egito.

A camisa chega ao Núcleo de Memórias da Museologia do Brasil (NUMMUS) em 2020, através de doação da Museóloga Vânia Dolores Estevam de Oliveira, que foi aluna do Curso de Museus durante a década de 1970. O recebimento e acondicionamento da peça, porém, só ocorreu no ano seguinte, quando as atividades na universidade voltaram a ser presenciais após a pandemia de COVID-19, sendo realizados pelo Professor Dr. Ivan Coelho de Sá, diretor da Escola de Museologia da UNIRIO e responsável pelo NUMMUS.

Durante as pesquisas sobre a camisa, quando analisada a etiqueta e o histórico de logos disponibilizado pelo Centro de Memória Ingo Hering, encontramos divergências quanto à datação da camisa. O logo que mais se assemelha ao encontrado na camisa seria da década de 80, contudo, sabemos que a camisa foi produzida e adquirida entre os anos de 1975 e 1979 – tempo em que Vânia Dolores foi aluna do Curso de Museus. Além disso, o modelo da camisa do DAGB se assemelha com o modelo “Camisa Esporte”, modelo que seria da década de 1970 por estar ligado à Copa do Mundo..

AS CAMISAS DO DIRETÓRIO ACADÊMICO

Os Diretórios Acadêmicos são organizações que representam alunos de um mesmo curso ou de uma mesma instituição de ensino superior. São responsáveis por fazer o intermédio entre os alunos e a instituição, de modo que, seus interesses e direitos sejam garantidos.

 A comercialização de camisas ou outros objetos – como broches ou canecas – são meios de arrecadar verba para sua manutenção, mas também para a realização de atividades ou projetos voltados para a comunidade acadêmica. As estampas desses objetos costumam ter alguma associação com o curso ou a instituição que representam, podendo ter um caráter mais politizado e sério ou mais descontraído e com trocadilhos, como é o caso da camisa do D.A.G.B.

 

AS CAMISAS DO DIRETÓRIO ACADÊMICO: QUAL A IMPORTÂNCIA?

Tratando-se de uma camisa do dia-a-dia dos estudantes, considerando que o uso de camisas como essas com calça jeans eram o “uniforme” dos jovens universitários da época, e que não existem registros de outras desse modelo que tenham se mantido preservadas, sobrevivendo há 50 anos, podemos atestar seu caráter de raridade. Seu vínculo com o antigo Curso de Museus e, principalmente, com o período de transição que viviam, com sua transferência para a Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro – FEFIERJ, atual Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, também influenciam em sua importância.

 Através deste objeto é possível pensar as mudanças não apenas do curso como de seus estudantes, seja da forma como se organizam e se entendem enquanto grupo, mas também como percebem a área da Museologia. É possível traçar mudanças nas escolhas de pautas que abordam, nos profissionais da área ao qual exaltam e, da mesma forma, como se apresentam enquanto grupo ou indivíduos. São mudanças que acompanham o cenário museológico brasileiro, porém, sob a perspectiva de seus alunos.

 

https://www.youtube.com/watch?v=XHOmBV4js_Ehttps://www.youtube.com/watch?v=XHOmBV4js_E





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